Muita gente imagina que pulverizar com drone é "ligar e voar". Uma operação profissional é outra coisa: é um processo técnico com etapas bem definidas, em que o voo é só a parte visível. Veja como funciona uma aplicação da Agrothermo, do primeiro contato ao relatório final.
1. Diagnóstico e receituário
Tudo começa com a demanda agronômica: qual praga, doença ou manejo, em qual cultura e estágio. O produto é definido com receituário agronômico, e a partir da bula estabelecemos a taxa de calda (L/ha), o tipo de gota e os cuidados de segurança. Aqui também avaliamos compatibilidade de mistura e pH da calda quando há mais de um produto no tanque.
2. Planejamento de voo
Com o polígono da área em mãos, planejamos a missão: faixa efetiva de aplicação, altura de voo, velocidade e rotas, considerando obstáculos (fiação, carreadores, sede, estradas) e áreas não alvo a proteger (casas, criações, culturas sensíveis vizinhas, água). Em paralelo, solicitamos a autorização de espaço aéreo no SARPAS/DECEA — obrigatória para todo voo desde a nova ICA 100-40, de julho de 2026.
3. Meteorologia: a decisão de aplicar ou esperar
Nenhuma etapa importa se o clima estiver errado. Levamos estação meteorológica para o campo e medimos temperatura, umidade relativa e vento antes e durante a operação. Usamos também o Delta-T — indicador que combina temperatura e umidade e mostra se a gota vai chegar viva ao alvo ou evaporar no caminho. Fora da janela segura, a aplicação espera. Simples assim: aplicar no clima errado é jogar produto (e dinheiro) no ar.
4. Preparo de calda e abastecimento
A calda é preparada em tanque de mistura com agitação, na sequência correta de produtos, próxima ao talhão para reduzir tempo morto. A logística de água é combinada com a fazenda no planejamento — é ela que garante o ritmo da operação.
5. O voo: precisão de centímetros
Os DJI Agras T50 e T70 voam com RTK (correção de posicionamento de alta precisão), mantendo faixa, altura e velocidade programadas com exatidão. Os atomizadores de disco rotativo produzem gota de tamanho controlado — o coração do controle de deriva. O sistema registra tudo: área coberta, volume aplicado, trajeto e parâmetros de cada voo.
6. Encerramento: limpeza e relatório
Ao final, o sistema de pulverização é limpo (tríplice lavagem quando aplicável) e as embalagens seguem o descarte correto. Você recebe o relatório técnico da operação: mapa da aplicação, área total, volume, taxa média, parâmetros de voo e condições meteorológicas aferidas. É a rastreabilidade que certificadoras e compradores exigem — e que protege a fazenda em qualquer questionamento.
Por que esse processo compensa
- Sem pisoteio: nenhuma planta amassada, nenhuma linha perdida;
- Sem compactação: o solo agradece, principalmente em área irrigada;
- Acesso total: terreno encharcado, irregular ou com obstáculos deixa de ser problema;
- Economia de insumo: aplicação uniforme, sem sobreposição descontrolada nem falhas;
- Velocidade: mobilização rápida para aplicar na janela agronômica certa.
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